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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Quer ir conhecer a Concha y Toro?





Oi, gente!
Post novo saindo depois de um final de semana prolongado incrível em terras chilenas...
É, no meio do dia a dia corrido, terminei emendando uma viagem na outra, e vou alternando os posts sobre o Peru e o Chile por aqui... Chique, né?
Pra começar, vamos falar de uma paixão, o vinho, e da delícia que é visitar as vinícolas... Sim, eu adoro! Sempre que posso, incluo a visita no roteiro, e dessa vez consegui aproveitar dois dias seguidos de muita uva, vinho e belas paisagens...
Os vinhos chilenos já são velhos conhecidos nossos... geralmente são bons, a um preço acessível, e tem boa aceitação na roda de amigos, considerando a diversidade de paladares e de conhecimento sobre o assunto.
E quando você pensa em vinho chileno, pelo menos aqui pelas bandas do Recife, não dá pra não pensar nos rótulos da Concha y Toro. São, basicamente, vinhos fáceis, de grande aceitação, principalmente por quem não está muito acostumado a Baco, por um preço razoável. Por isso, a primeiríssima opção de visita foi, obviamente, a famosa Vinícula Concha y Toro!

Chegar lá é fácil, dá pra ir de metrô, conjugado com um pequeno trecho de táxi no final. As visitas acontecem com hora marcada, em diversos idiomas, e sempre há bastante gente por lá. O lugar é lindo, todo organizado, mas meio turistal demais... Sabe a sensação de que tudo está arrumadinho pra turista ver, mas que falta alma? É isso.

Optamos pelo tour premium, que era basicamente o tour básico de 01 hora, acrescido de uma degustação dos vinhos Marques de Casa Concha. Ficamos realmente frustrados na primeira hora... A nossa guia - uma loira chatésima - mal olhava pra nossa cara, conferia o relógio a todo momento, e corria mais do que tudo. Fico imaginando um idoso tentando acompanhá-la no tour... provavelmente terminaria levando uma queda! Parecia um robô repetindo o texto decorado, sem nenhuma empatia nem amor pelo que estava fazendo. Também não há muita ênfase no processo de fabricação do vinho, mas sim na história e nos produtos da vinícola. A parte da cave do Casillero del Diablo é legal, mas a lenda é contada por led e som, sem muita emoção. As degustações, três, são feitas quase de forma automática... Os vinhos são razoáveis, mas a correria é tanta que nem dá pra aproveitar.

Já a segunda parte do tour é ótima, e valeu o passeio! Apesar de ser feita num local fechado, a enóloga responsável é super atenciosa e simpática, responde a perguntas, fala devagar, interage, tenta ser engraçada. Quatro vinhos de uvas diferentes, todos da excelente linha Marques de Casa Concha, acompanhados de quatro queijos, um para cada harmonização. Pro vinho mais leve, pinot noir, queijo de cabra; e assim sucessivamente até terminar com o cabernet acompanhado de um queijo tipo parmesão. Explicações, sabores e bouquets devidamente aprovados! Recomendo muito fazer essa desgustação, é a melhor parte da visita! 

Ah, já ia esquecendo: é óbvio que não dava pra não falar da uva Carménère , que é uma das minhas preferidas, e praticamente um símbolo daquele país. Isto porque, apesar de sua origem francesa, ela foi praticamente exterminada dos parreirais de Bordeux no início do século XX, depois de uma grande praga de filoxera. Trazida às terras francesas por acaso, as mudas de carménère foram confundidas com as de merlot, e plantadas juntamente com elas. Com o tempo, as diferenças no tempo de maturação foram se acentuando, e somente nos anos 70 é que ela foi identificada em terras chilenas. Sobreviveu e se adaptou tão bem às condições climáticas daquele país, onde não existe filoxera, que é hoje um orgulho de todos os produtores. Legal, né?

No final, restaurante e lojinha à disposição, com mesas ao ar livre para que você possa ficar um tempinho mais por lá.

E foi isso! Saímos felizes, adoramos o lugar e a degustação premium, mas ficamos tristes ao constatar o quando o lugar é comercial, e a péssima relação que tem com os visitantes, tratados de forma absolutamente indiferente pela guia do passeio. Mesmo assim, vale a pena pela beleza, pelos vinhos e pela história. Sabe aquele tipo de lugar que ao final você diz: "é, foi legal, vale a pena, mas pra se fazer somente uma vez na vida".
Ainda mais quando comparamos com a outra vinícola visitada no dia seguinte.... e que será o próximo post do blog!
Até lá!!

Ah... depois que voltei, encontrei o Marques de Casa Concha pra vender no Pão de Açúcar... Estava na promoção por "apenas" R$ 110,00. Achei meio carinho (pelo menos pro meu bolso!). Beijos!




sábado, 14 de setembro de 2013

Confraria Mulheres & Vinho



Oi, gente!
Eu e Aline Leite, organizadora do evento.
Este post é especial, e vem celebrar as boas surpresas que a vida nos revela. Sabe quando você está meio pra baixo, e aí recebe um convite pra fazer uma coisa diferente, com gente que você não conhece? Na dúvida entre aceitar ou não, é levada pela correria da vida, e termina aceitando, pra ver se melhora um pouco a semana complicada?
 Pois bem, foi o que aconteceu comigo. Recebi um convite para participar da Confraria Mulheres & Vinho, organizada pela minha amiga Aline Leite e, mesmo sem conhecer ninguém além da organizadora, resolvi aceitar. Pesquisei, e vi que se tratava de um grupo de mulheres que se encontravam uma vez por mês, em algum restaurante da cidade, para participar de um jantar harmonizado, daqueles que combinam boa comida e excelentes vinhos. Além disso, sempre havia uma palestra de interesse feminino, brindes e, pelas fotos, muita alegria.



Decoração cuidadosa
Fui lá conferir, e confesso que fui duplamente surpreendida. Primeiro,  pelo lugar escolhido. Lembram que eu já tinha ido conhecer o GIARDINO BISTRÔ, durante o Restaurant Week Festival, e a experiência não tinha sida boa? Fiz até um post sobre isso aqui no blog, contando as minhas impressões. Pois bem, nesta nova oportunidade as minhas expectativas foram superadíssimas, tanto pelo cardápio escolhido, pela qualidade e apresentação da comida e pelo atendimento. Foi mais do que uma redenção, parecia um novo restaurante. E eu amei!

 Já a Confraria em si, fiquei fã! Um grupo bastante heterogêneo de mulheres, com idades e ocupações variadas, mas todas de alto astral, dispostas a se divertir, a fazer amizades, conversar, comer bem, beber melhor ainda, e a rir muito. Muito legal! Segunda confissão: tive medo de encontrar muitas dondocas, e me sentir deslocada, mas não passou nem perto disso! Fui super bem recebida. Obrigada, meninas!
Tá bom de conversa fiada, né? Afinal, este blog fala de comida, então vamos logo passar pra melhor parte da noite :)
Caldinho de Pupunha
O jantar começou com um Caldinho de Pupunha como entrada, que levava queijo de cabra boursin, e raspas de limão siciliano, acompanhado do Espumante Brut da Casa Perini. Fiquei encantada pelo Caldinho! Super leve, meio aerado, muito saboroso. O frescor do limão combinou perfeitamente. Nota 10!!
Tartar de Salmão




Fomos em frente, e a segunda entrada foi um ótimo Tartar de Salmão, leve e fresco, com uma boa presença de mostarda dijon, e pimenta rosa dando a crocância necessária.  Delicioso, assim como o ótimo vinho branco Chateau Haut Mondain Blanc, direto da região de Bordeaux, com o qual foi harmonizado perfeitamente. Na mosca, de novo! Por sinal, este foi um dos vinhos brancos mais gostosos que já provei.

Pausa para aprendermos um pouco sobre Odontologia e Estética Facial, com uma excelente apresentação do Dr. Marcus Werneck.  Agora , sinceramente, imaginem quase 30 mulheres perguntando tudo, ao mesmo tempo, sem parar de falar. Coitado, terminei com pena dele. 

Risoto de Camarão
Pronto. Vamos aos pratos principais. Primeiro, um ótimo Risoto de Camarão com mix de queijos, banana da terra, amêndoas laminadas e chips de parma. Sinceramente, eu nunca tinha provado chips de parma, e ele fica tão torradinho que o sabor parece o de bacon, só que um pouco menos gorduroso. Aprovado!




Magret de Canard
O segundo prato principal foi uma das estrelas do cardápio da casa, o Magret de Canard com Purê de Frutas Vermelhas e Geléia de Rosas. Desde que li o cardápio, fiquei de olho neste prato, e estava cheia de expectativas. Mas, infelizmente, não foi o meu preferido. O ponto do magret veio passado demais, tornando-o mais seco e mais duro do que deveria. O purê estava gostoso, mas um pouco seco (pro meu paladar, pois prefiro os purês mais macios). Estava gostoso, mas ficou um pouco aquém dos outros pratos oferecidos. Talvez tenha sido pelo tempo de espera no serviço, ou pela quantidade de pratos servidos simultaneamente. Talvez, se for pedido num dia normal... Prometo pedir este prato se voltar por lá!
Terrine de Framboesa e Figos

 Pra finalizar a orgia gastronômica, Terrine de Framboesa e Figos, um creme duplo de queijo gruyère  super leve, no ponto exato, coberto com uma casquinha de suspiro crocante, e adornado com morangos, figos e mirtilo. Divino!! Deixou um gostinho de quero mais que até agora não saiu...
Meus vinhos preferidos da noite!
Ah, nem preciso dizer o quanto estava bom o vinho tinto eleito para acompanhar o magret... Um excelente Côte du Rhône Joseph Castan!  
Ufa! 
Fim de uma noite perfeita. Animada, deliciosa e inesquecível.
Já estou pensando na próxima reunião da Confraria das Mulheres & Vinho em outubro. O que será que vai acontecer?

Prometo contar tudinho a vocês!
Teve até bolinho pras aniversariantes do mês
Um beijo, e até a próxima.







     


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Comida também é artesanato!

Oi, gente!

Se tem uma coisa que eu, definitivamente, adoro, é feira! Adoro feira de rua, feira de artesanato, feira grande, feira pequena, mercado, supermercado... Não tem um só lugar para o qual eu viaje, que eu não procure conhecer ao menos uma delas. Acho que a mistura de cores, sons, sabores e principalmente de gente é uma das melhores formas de conhecer (e reconhecer) a alma de um lugar.
Também em Recife, minha cidade, frequento (e adoro!) feiras, mercados e quaisquer ajuntamentos de gente vendendo coisinhas variadas.
Isso tudo para dizer que sempre, todos os anos, espero a FENEARTE (Feira Nacional de Artesanatos) chegar para bater pernas loucamente pelo Centro de Convenções. Tenho acompanhado o crescimento absurdo da feira, o aumento da variedade, da quantidade de pessoas circulando, e dos altos valores envolvidos na empreitada. É um deleite para todos os sentidos! Gente do nosso estado, do Brasil inteiro, e de vários países se encontrando para vender um pouquinho da sua cultura, de uma forma absolutamente encantadora.
Ontem foi dia andar por mais de 5 horas seguidas, perambulando pelos corredores repletos de gente, ouvindo o apito dos índios, sentindo o cheiro de madeira misturado ao de chocolate, admirando lindos trabalhos em renascença, bordados, pinturas e esculturas. De me encantar e me surpreender. E, é claro, de provar (e aprovar!) vários sabores presentes por lá.
Sim, porque a feira também é gastronômica. São inúmeros estandes que oferecem os mais variados petiscos, chocolates, queijos, biscoitos, licores, salames, geléias, doces e salgados, e o que é melhor, cheio de oportunidades para degustarmos. Uma ótima chance de conhecer um novo sabor, não é?
Por isso, separei alguns dos meus achados preferidos desta XIV edição da FENEARTE, para ajudar você a encontrar os seus. Vamos lá?

 - Biscoitinhos artesanais de gengibre, vendidos a R$3,00 o pacote, no estande da Bom Demais. Provei também os de limão e o de maracujá, e adorei. Achei que o de canela podia ter um sabor mais forte, e o clássico (com goiabinha em cima) também estava fazendo sucesso.

- Trufa de chocolate com morango natural, à venda no Box 102. Valor da unidade: R$ 2,00. Deliciosa!


- No concorrido estande dos produtos de Gramado (RS), pare com calma para provar tudo o que eles oferecem! Queijo tipo provolone curado no vinho, salame com pouca gordura, cracóvia de frango. O meu preferido foi o queijo colonial, com sabor mais suave, bem macio, pouco sal e apenas 5% de gordura. Ideal pro dia a dia. Só achei o preço bem altinho (R$ 40,00 o pacote com 900g), mas se você levar outras coisas, há desconto.

- O nosso conhecido Empório Gerbô também está presente na feira, e cheio de novidades. Desta vez, conheci e fiquei encantada pelo fino sabor do figo com nozes. É simplesmente delicioso! E, vamos combinar, super chique para ser servido com o cafezinho, após a refeição... Ah, está sendo vendido no peso, e em pacotinhos já fechados, para presente. Uma graça!

- No fim, a minha visita obrigatória ao quiosque dos doces portugueses. Está sempre lotado, e tudo acaba. Portanto, corra! E não deixe de provar o pastel de santa clara, com a massa super fininha, e um farto recheio de ovos que é a cara de Lisboa.

E ai? Já passou por lá? Ou ainda vai visitar a Fenearte?
Compartilha com a gente o que você descobriu de gostoso por lá!

Beijos, e até a próxima!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Uma Delikata novidade...

Oi gente!

Depois de um tempinho afastada do blog, já que não dá pra escrever sobre coisas boas quando se está tão triste, vim compartilhar com vocês uma Delikata novidade que descobri esta semana.
Na verdade, já tinha ouvido falar dos produtos da Delikata, presentes em algumas das festinhas infantis que rolavam entre as amigas. Mas nunca tinha tido a curiosidade de parar e conhecer, efetivamente, as delícias de lá.
Pois bem, pra alegrar um pouquinho meu coração, esta semana o pessoal de lá me convidou para conhecer a sua nova loja, em Casa Forte, e eu, claro, aceitei!
Pela primeira vez a empresa, que começou há exatos 14 anos, em Olinda,está abrindo uma loja com balcão, ou seja, dando a possibilidade do cliente ir fazer um lanche por lá mesmo. O foco continuam sendo as encomendas, e, embora esteja claramente crescendo e se profissionalizando, inclusive do ponto de vista de marketing e propaganda, não perdeu o seu caráter familiar. Na verdade, continua apostando nos produtos simples, conhecidos, e que são amplamente aceitos pelo mercado, mas executados de forma cuidadosa, com gostinho de "feito em casa", procurando manter o público que consagrou a marca, mas também conquistar novos consumidores.
Pelo que vi, acho que eles estão no caminho certo.  Primeiro, pela absoluta disponibilidade em ouvir o consumidor, em procurar saber o que este novo mercado, ainda desconhecido, deseja. Por isso, a interação com os consumidores, através das mídias sociais, é enorme, e muito bem cuidada. Do local desta nova loja, à elaboração do novo cardápio, tudo é questionado e compartilhado. Ponto pra eles!
Depois, o custo-benefício dos produtos é muito bom. A coxinha, por exemplo, estava ótima, bem sequinha, assim como o bolinho de queijo. Já um salgadinho de presunto não me agradou muito, achei meio mole, e muito salgado. 
Na parte dos doces, ponto para o docinho de ameixa, delicioso, e que lembra muito um que a minha tia fazia em todos os aniversários dos meus primos (quando as festinhas eram feitas na sala de casa). Já as trufas eram bem enjoativas, e o chocolate utilizado tinha muita manteiga de cacau. 
As opções de tortas são clássicas, e provei a campeã de vendas, que era uma torta gelada de chocolate com creme. Sinceramente, não é o meu forte, achei muito doce e gordurosa. Mas eu sou chata, e acredito que o paladar geral poderá gostar.
Pronto. Anote a Delikata como uma boa opção para quando você quiser uma festinha mais simples, mas muito gostosa, e sem gastar muito. Ou para levar as crianças para fazer um lanche que elas vão adorar.
Beijinhos a todos (inclusive os de coco!)

quarta-feira, 6 de março de 2013

Pequeno Paraíso

Oi, gente!
Estou aqui de novo para compartilhar com vocês um lugarzinho especial que eu conheci por esses dias: o EMPÓRIO GERBÔ. Um pequenino espaço, repleto de cheiros e sabores, e um atendimento carinhoso que faz a gente se sentir em casa.
O Empório é a concretização da vontade dos proprietários de trazer tudo o que descobriram de bom, em suas viagens pelo mundo, para os amigos provarem (sim, porque cada cliente lá torna-se um amigo rapidinho). Assim, além de muita conversa, é possível encontrar por lá temperos orientais, massas italianas, doces mineiros, azeites portugueses, espanhóis, gregos, queijos holandeses, mostardas francesas, castanhas pernambucanas, biscoitinho de cupuaçu paraenses, tâmaras israelenses, produtos libaneses, turcos, e de tantas outras nacionalidades.
Fiquei absolutamente encantada!
Pra começar, pode ir com fome, porque sempre tem um monte de coisinhas para provar. Se quiser umas dicas, não deixe de provar o antepasto de pimenta biquinho (imperdível), as frutas desidratadas, as macadâmias cobertas de chocolate, o biscoitinho de cupuaçu, o doce de leite mineiro.
Pude perceber que a maior preocupação da casa é com a qualidade dos produtos, selecionados pessoalmente pelos donos, e que sabem exatamente a origem, o fornecedor e as características de cada uma das delícias vendidas. O cuidado é evidente em tentar trazer para o Recife o melhor que há por aí. Por isso, encontrei por lá as as melhores massas, as espetaculares tâmaras israelenses, rolinhos primavera e salmosas trazidas diretamente do bairro da Liberdade, em São Paulo, lindas castanhas portuguesas, e os melhores doces de Minas Gerais. 
Aguçando imediatamente as minhas papilas ávidas por novidades, descobri também espinafre em pó, geléia de cachaça, doce de queijo, madioca em palha (igualzinha à batata palha), vinagrete em flocos, azeitonas recheadas com amêndoas, pó de caldo de camarão, cramberry desidratado, e tantas outros sabores novos! Pra quem gosta de facilitar a nossa vida, como eu, charque desfiada e embalada a vácuo, pronta pra ser usada (agora sim posso tentar fazer um escondidinho decente!), patolas de caranguejo empanadas, filé de bode pronto pra assar, e um lindíssimo peixe na telha, prontinho, que fará sucesso em qualquer jantar!
Enfim, um pouco de tudo, e de tudo um pouco. Um lugar excelente para se deixar levar pelos sabores do mundo. Tenho certeza que ainda descobrirei (e compartilharei) muitas delícias de lá!

Um beijo bem saboroso.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Simplificando o extraordinário


Oi, gente!

Hora de viajar de novo, conhecendo e reconhecendo sabores além-mar.
Quem aqui já comeu trufas negras? Eu não conhecia, e nunca tinha experimentado, até uma temporada inesquecível que passei na Provance.
Fui pesquisar, e descorbri que, na verdade, a trufa negra é um fungo, uma espécie rara e silvestre de cogumelo que nasce embaixo da terra, numa profundidade média de 30cm, e perto das raízes de castanheiras e carvalhos. Por ficarem enterradas, são bem difícies de encontrar, e nessa busca o mais comum é que se utilizem cães farejadores, o que as tornas ainda mais especiais, e caras. Os preços podem chegar a mais de U$1.000,00!!
São pequenas, com uma casca grossa e enrrugada, possuem sabor forte e marcante, e são bastante usadas na alta gastronomia. Se o próprio ingrediente é caro, imaginem o preço que um prato que leva trufas negras pode alcançar num restaurante top?? Definitivamente, não é para todos os bolsos.
Porém, para a nossa alegria, uma mais conhecidas e deliciosas formas de desfrutar o rico sabor da trufa negra vem das receitas simples, caseiras, daquelas presentes nos almoços familiares especiais: o ovo mexido com trufas negras.
Tive a sorte de ser recebida com um desses durante um inesquecível almoço ao ar livre, e sinto até hoje o gostinho marcante da trufa, ressaltado pela cremosidade e pela simplicidade dos ovos mexidos de forma primorosa. A combinação é ideal, mas não deixe os ovos ressecarem. Pra ficar perfeito, eles precisam estar bem cremosos, molhadinhos.
A receita é simples: ovos frescos, uma boa manteiga, e as trufas raladas com ralo grosso. Sal e pimenta do reino a gosto. Ainda tem quem sugira uma pequena quantidade de creme de leite fresco ao final. E voilà!!

Ah, se você quiser a-r-r-a-s-a-r na apresentação do prato, sirva em porções individuais, dentro da casquinha do ovo, usando-a como uma cumbuquinha.
Este é, sem dúvida, mais um sabor fascinante a ser descoberto. Um verdadeiro presente da natureza pois, pelo que pude ver, ainda não se conseguiu, até hoje, cultivá-las.
O bom é que, para nós, pobres mortais recifenses, existem trufas negras em conserva que podem, perfeitamente, ser utilizadas. Bem melhor, né?
Sirva com excelentes torradas, e se prepare para os elogios. Que tal um brunch neste Natal?? 
Um beijo enorme.

Curiosidade Extra: Antigamente, no lugar dos cães, os caçadores de trufas negras usavam porcos.  E eu nem sabia que existiam porcos farejadores!!!


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eu comi um rato

Qual a sua maior aventura gastronômica?


Em qual momento você vacilou, pensou, olhou 20 vezes para o prato na sua frente, até ter coragem de provar o que estava sendo oferecido?
Afastar o preconceito e aventurar-se nos sabores não é fácil. Requer uma boa dose de coragem, disposição e mente aberta. Você pode conseguir ou não, gostar ou não, terminar o prato, repetir ou nem conseguir engolir a primeira garfada. Mas será, sempre, uma experiência inesquecível.

Particularmente, sou bastante aberta a surpreender meu paladar, especialmente em viagens. Antes mesmo de chegar ao destino, já sinto o gostinho dos pratos que quero provar. A gastronomia é, sem dúvida, um dos maiores atrativos turísticos.
Não foi diferente quando cheguei à Serra Equatoriana. Ao contrário da costa, é a parte que se mostra mais típica, e que se revela como a idéia pré concebida que temos dos países andinos. Ao lado da altitude, que é um atrativo à parte, a herança indígena está super presente: na fisionomia da população, na língua, no artesanato, na dança, na vida social, e na culinária.
Pra entrar no clima, resolvi criar coragem e provar o famoso cuy, que nada mais é do que o porquinho da índia (aquele mesmo, fofo, que a gente cria em casa) assado inteiro no espeto.

Dica certa em todos os guias de viagem, descobri que o cuy, além de ser o prato mais típico daquela região, é uma prato de festa. Iguaria servida em ocasiões especiais, de comemoração familiar, e caro para os padrões locais de preço.
Durante toda a viagem encontrei mulheres assando o porquinho na brasa, na beira da estrada, e fui me aconstumando à idéia de prová-lo na próxima refeição.
Soube que a grande maioria dos turistas não se atreve, por considerá-lo um rato assado. Será?

Depois de um árduo trabalho mental, consegui me convencer que um porco-da-índia não é um rato, e fiz o pedido no restaurante.
E ele veio.... inteirinho, com pele e tudo, olhando pra mim. Muito mais difícil, não é?
Se fosse desfiado, ou cortado em pedaços, seria muito mais fácil. Mas não. Era preciso encarar os olhinhos vidrados e a boquinha aberta, com dentinhos à mostra.
A hora H, e a cara de espanto da vizinha
Respirei, e entrei fundo de garfo e faca na mão.
Ainda bem.... ele era gostoso! A pele super crocante, bem sequinha. A carne, meio parecida com a de coelho. Só que ele é magrinho, tem muito pouca carne (como acontece com a codorna, por exemplo). Nada que eu me apaixonasse, ou repetisse. Mas valeu a pena a experiência.
Vai para a lista das coisas que provei, mas não me apaixonei (junto com os escargots).
E você, comeria?
Um beijo, e até a próxima aventura.




PS: Eu, ignorantemente, pensava que porco-da-índia e hamster era a mesma coisa. Não, não é. São duas espécies diferentes, com algumas peculiaridades que deixarei para os criadores e simpatizantes de plantão elencarem.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ceviche com ketchup

Oi, gente!
Ceviche no almoço, com arroz e chifles de banana
Voltei. Depois de umas férias inesquecíveis, estou de volta ao batente, e ao blog.
Menos cansada, menos estressada, mais pobre, mais gordinha e imensamente mais feliz! Cheia de fotos, lembranças e histórias pra contar.
O Equador é um país surpreendente. Pequeno no tamanho, grande na diversidade. Uma mistura de povos, de culturas, de valores. De climas e paisagens tão diversos que até esquecemos que estamos no mesmo país. Sem nem uma moeda própria pra chamar de sua. Mas com uma unidade que é marcada pela história, pela língua e, sobretudo, pela gastronomia.
Como sempre, respirei e abri a mente, a boca e o coração para conhecer e captar todos os gostos e cheiros da metade do mundo. Sem preconceitos, sem julgamentos, mas procurando encontrar, especialmente, a história daquilo que me estava sendo oferecido, a origem daquele sabor, a influência por trás daquele prato.
Foi assim por quase um mês. Do mais trivial ao mais sofisticado. Da comida normal cotidiana ao jantar de gala. Algumas delícias, algumas surpresas, algumas decepções.
Por isso, teremos muitas novidades para compartilhar por aqui.


Pra começar, a costa equatoriana. A região ainda traz um grande ranço da dominação econômica e ideológica americana. Os Estados Unidos estão no horizonte coletivo, e no sonho de consumo de cada um. Por outro lado, o mar gelado do Pacífico recheia a dieta alimentar, e o pequeno espaço disponível para pecuária faz disparar os preços da carne bovina. Na base produtiva, um monte de fazendas de camarão, e barcos de pesca de todos os tipos e tamanhos. Dá pra imaginar que o forte por lá são os frutos do mar. Ainda bem, porque eu adoro!
Ceviche equatoriano de camarão
De cara, encontrei, em cada esquina, o ceviche! Logo eu, que adoro ceviche. Inocentemente, imaginei que, pela proximidade com o Peru, entraria no terreno seguro de um prato conhecido e apreciado. E, ainda mais ingênua, acreditei que comeria ceviches nos restaurantes, como entrada no almoço ou prato principal no jantar. Aquele velho conhecido, cozido no limão, e temperado com bastante cebola.
Lêdo engano.
O ceviche equatoriano é completamente diferente do peruano. Ponto comum entre os dois é a excelente qualidade dos ingredientes. Em todos os que comi (e foram vários!), o peixe era fresquíssimo, o camarão espetacular, e o polvo macio como nunca. Mas parava por ai.
Carrinho de ceviche na rua.
O mais importante é que, no Equador, o ceviche é um prato popular, mas popular de verdade. Comida de rua, de trabalhadores, vendida na praia. Pode ser encontrado tanto em restaurantes caros, como nos mais simples, e também no meio da rua. De peixe, camarão, caranguejo, polvo, mariscos ou o que mais estiver disponível, tudo junto ou separado. E é vendido em carrinhos iguais aos de cachorro quente, com os ingredientes em potes plásticos; o prato é montado na hora, ao gosto do freguês. Sabor e proteína a módicos 5 dólares. Achei o máximo!
Ao contrário do peruano, os ingredientes principais (pescados, frutos do mar) são pré-cozidos. Mas só um pouquinho, porque permanecem bem macios. Além disso, vem cheio do molho ácido, num prato fundo, como uma sopa rala. 
Um desses a cada 100m de areia
Pra acompanhar, chifles de banana, outra coisa que é a cara daquele país, e que acompanha quase metade de todos os pratos. Nada mais do que finas e crocantes fatias de banana frita, como um salgadinho. O pessoal de lá geralmente vai quebrando a banana e colocando tudo dentro da cumbuca do ceviche, comendo tudo junto. Confesso que preferi comer separadinho mesmo.
Não é só. O ceviche pode ser comido a qualquer hora, e se for a sua escolha pro almoço, virá acompanhado também de uma porção de arroz branco, que você também deverá por dentro do prato fundo de ceviche.
Mas lá pras bandas da praia, ele é comida de café da manhã! Sim, o café da manhã regional, típico, é ceviche. Um bom prato de ceviche com chifles de banana. Energia pro dia todo.
Parada pro café da manhã
Como se não bastasse o espanto de comer ceviche no café da manhã, todos, sem exceção, temperam o prato com.............ketchup! Não consegui acreditar. O mais puro exemplo da mistura da gastronomia tradicional equatoriana com a influência americana.
Confesso que me neguei, por muito tempo, a fazer isso. Primeiro, porque nem sou tão fã assim de ketchup. Segundo, porque achei um absurdo estragar um prato tão saboroso, com ingredientes de primeira, desta forma. Mas vi, todas as vezes, todo mundo colocando.
Este já veio com ketchup
Até o dia em que fomos todos tomar café da manhã num restaurante chamado Arbolito. Ceviche pra todo mundo, e eles já vieram, todos, com ketchup. Não tive como escapar, e terminei experimentando. Taí a foto pra comprovar.
Tenho que dar a mão à palmatória: não fica ruim. Pelo contrário, o docinho do ketchup vai um bom contraponto ao forte tempero do ceviche. Mas ainda assim prefiro a minha versão não americanizada.

Será que alguém se habilita a provar???
De qualquer forma, vou torcendo para que o ceviche, peruano ou equatoriano, se torne mais popular (e, consequentemente, mais barato) por aqui.
Esta é apenas a primeira das novidades. Afinal, não há como negar que comer ceviche com ketchup, no café da manhã, foi uma aventura.
Já estava com saudades de vocês!
Compartilhar a experiência torna muito mais legal tudo o que é vivido.
Um beijo!




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Recife Sabor & Arte

Oi gente!
Novidade para quem está pela capital pernambucana.
A partir de hoje, e até o dia 23 de setembro, está rolando o Festival Recife Sabor e Arte, promovido pela Abrasel/PE. Vários restaurantes da cidade estão participando, e o tema deste ano é Gastronomia e Música. O desafio foi escolher uma música marcante, e a partir dela desenvolver um prato principal e uma sobremesa, que serão vendidos por preços que não podem ultrapassar R$ 40,00 e R$ 10,00, respectivamente. Boa sacada!
Ontem tivemos a festa de abertura do Festival, e eu estive por lá pra conferir. Jazz ao fundo, muita gente circulando, entre chefs famosos, funcionários, clientes e curiosos. A proposta era que as casas participantes fizessem uma pequena degustação dos seus pratos do Festival, pra gente ficar com gostinho de quero mais. Alguns conseguiram, outros não, outros pecaram feio, e terminaram fazendo uma grande propaganda negativa.
À primeira vista, o que se viu foi uma profusão de pratos simplórios e baratos, como se os estabelecimentos estivessem ali apenas para cumprir tabela. Tudo bem, não era obrigatório servir o mesmo prato do festival na festa de abertura. Mas não custava nada um pouco mais de esmero. A maioria dos funcionários que estavam servindo não sabiam nada do festival, muito menos qual o prato que serviriam no restaurante, ou em qual música o chef havia se inspirado. Lamentável.
O Pátio Café e Cozinha
Entre estes, metade serviu risoto (nenhum com arroz arbóreo, por sinal), e uns tantos outros preferiram usar o penne. O que dizer de um excelente restaurante italiano que leva ao evento penne com molho de tomate? Não dá para esperar que o cliente fique animado a visitá-lo durante o festival. Aliás, não havia outra massa que não fosse esta. Devia estar na promoção! 
Ceviche e sushis do EKI
Por outro lado, alguns levaram a sério a proposta, e se destacaram muito positivamente. O Pátio Café e Cozinha inspirou-se na música Flor de Maracujá, de Pepeu Gomes, e serviu petiscos que remetem ao seu prato do festival, além de um delicioso brigadeiro de copinho com mousse de maracujá.  
O EKI também arrasou no ceviche super temperado e nos diversos sushis que estavam sendo montados na hora. Teve direito a repeteco!
Tapa de Cuadril
Duas boas e substanciais surpresas: o arroz com camarão, cachaça e queijo coalho da Confraria do Mar, e a Panelinha de Caruaru, trazida pelo Oficina do Sabor.
O estreante Tapa de Cuadril arrasou no Bife Ancho, acompanhado de farofa e cebola gratinada com queijo e calabresa. Estava uma delícia! Vai pro topo da minha lista das visitas!
O arroz com camarão do Confraria do Mar

O Recife Sabor e Arte é uma excelente oportunidade de conhecer novos lugares, e de descobrir outros sabores. Para saber a lista completa dos restaurantes participantes, e os pratos servidos, busque a lista que está no facebook da Abrasel PE (www.facebook.com/AbraselPe), e no site dos maiores jornais do estado. Já estou escolhendo os meus favoritos...
E você? Vamos nessa?