segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Itália - Recife, sem escala!



Oi, gente!

Esse novo post é um presente, e mais uma prova de que é possível, sim, viajar o mundo através dos sabores.
Pra começar, quem não gosta de comida italiana? Acredito que, por aqui, ela tem quase aceitação universal. Uma boa massa, um bom molho, aquela sensação de barriga cheia, de família em torno da mesa, de domingão...A culinária italiana remete nossos sentidos a uma gastronomia simples (mas não simplória), farta, gostosa e agregadora. Lembra-se da macarronada da avó? E da lasagna do domingo?
Estamos falando aqui da boa e verdadeira comida italiana, daquela feita com carinho e cuidado, com ingredientes selecionados e técnica apurada. Afinal, exatamente por sua popularidade, a culinária italiana talvez tenha sido a que sofreu os maiores ataques à sua qualidade. É fácil encontrar uma lasanha em qualquer esquina, mas é bastante difícil encontrar uma verdadeira lasagna italiana.
Pãozinho com tomate marinado
Por isso, fiquei muito feliz em descobrir uma jóia italiana nas terras recifenses. O restaurante Cucina de´Carli, localizado em Casa Forte, é uma dessas dicas que compartilhamos com nossos amigos mais chegados: uma casinha simples, numa ruazinha tranquila, com clima aconchegante, e atendimento de primeira, que faz a gente se sentir em casa.
As proprietárias são de origem italiana, e fazem do restaurante a extensão de suas casas, e um santuário à memória gustativa de suas infâncias. Por isso, tudo lá e feito exatamente como era feito na casa de sua mãe, e de sua avó, na Itália. Segredos e receitas de família que, passados de geração em geração, chegam até a nossa mesa de forma genuína, competente, e absolutamente deliciosa. Só pra constar, todas as massas frescas são produzidas lá mesmo, pelas duas sócias. O cuidado com os ingredientes e o respeito à comida estão presentes já no cardápio. 
Ponto pro lugar!
Fui arrebatada, logo na entrada, pelo imperdível pãozinho caseiro, feito por lá mesmo, servido com excelentes tomates marinados. A combinação é de arrasar! Junte-se a eles um bom azeite, um pouquinho de pimenta do reino, e fica melhor ainda. Por sinal, o cheirinho do pão no forno incensa o salão, o terraço, a casa, e a rua... terminei ficando com pena dos vizinhos!
Lasanha à Bolonhesa
Soube que o prato mais pedido é a conhecida Lasanha à Bolonhesa, e é lógico que não deixei de prová-la. É realmente deliciosa! Massa fresca, leve, ao ponto, e bem fininha, sem ficar aquela "coisa empapada". Molho encorpado e cheio de sabor. Queijo na medida certa, e aquela gratinada que derrete tudo. A porção, individual, é mais do que suficiente, e vai agradar quase todos os paladares, inclusive os mais conservadores. Pro meu gosto pessoal, precisaria apenas de um pouquinho mais de carne moída no molho. Mas eu sou chata, não é??
Espaguetti com camarão
Se preferir, o Espaguetti com Camarão e molho de Queijo também é ótimo. Massa cozida no ponto certo, camarões frescos e macios, e um molho de queijo de sabor leve. Pra quem não gosta de sabores fortes, esse é ideal. 
Anelli de Espinafre
Porém, para mim, o primeiríssimo lugar ficou com o Anelli de Espinafre, Ricota e Amêndoas, que é uma massa fresca em rolinhos, recheada com espinafre, ricota e amêndoas, e coberta com molho bechamel e de tomate. É simplesmente divino! Crocante por cima, macio por baixo, cheio de recheio, e finalizado pela combinação de dois molhos deliciosos. O molho bechamel de lá merece um registro à parte: é um dos melhores que eu já provei! Leve, temperado, sem aquele gosto pesado de amido (até porque não leva), e que deixa um gostinho de noz moscada no final. Soube que é feito da mesma forma que fazia a avó das proprietárias. Juro que na próxima vez vou pedir a receita. Fiquei fã!
Depois de toda essa orgia gastronômica, ainda teve espaço pra o excelente Tiramissu (na grafia em português, porque na original fica Tiramisù). Nada mais italiano, não?
Tiramissu
Pronto! Vinho pra acompanhar, muitas conversas e risadas, e saia de lá com a sensação de felicidade no estômago. Mas o melhor de tudo é, sem dúvida., a simpatia e alegria de D. Albânia e D. Gênova, que estão sempre por lá, contando histórias e nos fazendo sentir um pouco da hospitalidade e da alegria italiana.
Mamma mia!
Até a próxima :)


Ah, se estiver a fim de algo mais leve, pode escolher, sem dó, qualquer salada do cardápio. Todas as folhas utilizadas são orgânicas, e as combinações são excelentes.

CUCINA DE´CARLI 
RUA JADER DE ANDRADE, 163, CASA FORTE.



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

DNA NATURAL

Oi, gente!
Cantinho pra relaxar

Depois da farra gastronômica de final de ano, e com a proximidade do carnaval, é claro que este post tinha que ser super saudável. Afinal, com o calor que anda fazendo, acho que vou aparecer fantasiada de banhista do Pina, pra ver se aguento o sobe e desce das ladeiras de Olinda... Só que ainda tem um tender inteiro por aqui!
Por isso, aproveitei uma folga e fui re (conhecer) o DNA NATURAL, que aportou por aqui no final do ano passado. A rede de franquias investe na alimentação saudável, e vem se expandido para além do eixo sul-sudeste. A proposta une ambiente agradável a um cardápio rico em opções saudáveis, com destaque para os sucos, wraps e saladas, inclusive no esquema "monte a sua salada".
Pois bem, fui re(conhecer) o lugar, porque esta foi, na verdade, a segunda vez que estive lá. Confesso que minha primeira aventura não foi muito bem sucedida, em parte porque a casa havia acabado de abrir, e ainda estava no momento de ajustes, em parte porque tive o azar de ser atendida por um péssimo garçom, que (graças a Deus) não está mais por lá.
Mas o ambiente era tão legal, e vi tantos elogios, que resolvi reaparecer. Sorte a minha!
Wrap Mignon Especial
O lugar é ótimo :)
Primeiro, a casa está linda, cheia de verde, com espaço para crianças, e mesinhas ao ar livre, bem de frente ao Rio Capibaribe. Um oásis de silêncio e ar puro, o que, por si só, já é um grande atrativo.
Cestinha Crocante
O atendimento está melhorando muito (ok, todos sabemos que este é um problema crônico em nossa cidade), e a comida é muito gostosa.
Na lista dos wraps, o Wrap Mignon Especial vem com tiras de filet, cebolas grelhadas em molho barbecue, tomates e queijo cheddar. Como não sou muito fã de cheddar, troquei (sem problemas) para queijo provolone, e não me arrependi. Excelente! O tamanho é bom, é super molhadinho, e vale como uma refeição. Se preferir menos calorias, vá de Wrap Fast Peito de Peru, que é frio, e leva, além do peito de peru, queijo minas frescal, cream cheese, cenoura e alface.
Muito boa também é a Cestinha Crocante de Frango, que é uma cestinha crocante de massa que abriga a salada de alface com frango desfiado com cenoura, azeitonas e maionese (mais ou menos como o recheio de um sanduiche natural de frango). A casquinha crocante faz o contraponto exato com a cremosidade da pasta de frango, para ser comida junto com o recheio.
Tutti-Frutti ou Termogênico?
Agora, o ponto alto da casa são os sucos. Primeiro, as opções são infinitas, pra todos os gostos (e desgostos). Dos mais simples aos mais esquisitos. E ainda é possível fazer do seu jeito, se os ingredientes estiverem disponíveis. Tudo natural, fresquinho, batido na hora. Nesse calor.......... é pra pedir mais de um!
Pra espantar a TPM
Se tiver que sugerir, o meu preferido, até agora, é o Termogênico, feito com Chá Verde, Abacaxi, Gengibre e Hortelã. Super refrescante, delicioso, e ainda ajuda a emagrecer (dizem, né). Se preferir, vá de Tutti-Frutti, feito com morango, abacaxi e laranja. Ou, se for o caso, afaste o mau humor com o XÔ TPM, feito com morango, melancia, acerola e mel. Não tem como resistir!
Ah, ainda tem salada de frutas fresquinhas, açai, e pratos executivos pro almoço. Acho que vou ter que voltar por lá algumas vezes até perder (ou achar) os quilinhos que eu quero.
Um beijo, e até a próxima!



PS - A loja que eu fui conhecer fica na Avenida Rui Barbosa, 1503, bem em frente ao Colégio Damas. Mas eles tem um outro ponto de venda, no Shopping RioMar, com um cardápio mais reduzido.











segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Simplificando o extraordinário


Oi, gente!

Hora de viajar de novo, conhecendo e reconhecendo sabores além-mar.
Quem aqui já comeu trufas negras? Eu não conhecia, e nunca tinha experimentado, até uma temporada inesquecível que passei na Provance.
Fui pesquisar, e descorbri que, na verdade, a trufa negra é um fungo, uma espécie rara e silvestre de cogumelo que nasce embaixo da terra, numa profundidade média de 30cm, e perto das raízes de castanheiras e carvalhos. Por ficarem enterradas, são bem difícies de encontrar, e nessa busca o mais comum é que se utilizem cães farejadores, o que as tornas ainda mais especiais, e caras. Os preços podem chegar a mais de U$1.000,00!!
São pequenas, com uma casca grossa e enrrugada, possuem sabor forte e marcante, e são bastante usadas na alta gastronomia. Se o próprio ingrediente é caro, imaginem o preço que um prato que leva trufas negras pode alcançar num restaurante top?? Definitivamente, não é para todos os bolsos.
Porém, para a nossa alegria, uma mais conhecidas e deliciosas formas de desfrutar o rico sabor da trufa negra vem das receitas simples, caseiras, daquelas presentes nos almoços familiares especiais: o ovo mexido com trufas negras.
Tive a sorte de ser recebida com um desses durante um inesquecível almoço ao ar livre, e sinto até hoje o gostinho marcante da trufa, ressaltado pela cremosidade e pela simplicidade dos ovos mexidos de forma primorosa. A combinação é ideal, mas não deixe os ovos ressecarem. Pra ficar perfeito, eles precisam estar bem cremosos, molhadinhos.
A receita é simples: ovos frescos, uma boa manteiga, e as trufas raladas com ralo grosso. Sal e pimenta do reino a gosto. Ainda tem quem sugira uma pequena quantidade de creme de leite fresco ao final. E voilà!!

Ah, se você quiser a-r-r-a-s-a-r na apresentação do prato, sirva em porções individuais, dentro da casquinha do ovo, usando-a como uma cumbuquinha.
Este é, sem dúvida, mais um sabor fascinante a ser descoberto. Um verdadeiro presente da natureza pois, pelo que pude ver, ainda não se conseguiu, até hoje, cultivá-las.
O bom é que, para nós, pobres mortais recifenses, existem trufas negras em conserva que podem, perfeitamente, ser utilizadas. Bem melhor, né?
Sirva com excelentes torradas, e se prepare para os elogios. Que tal um brunch neste Natal?? 
Um beijo enorme.

Curiosidade Extra: Antigamente, no lugar dos cães, os caçadores de trufas negras usavam porcos.  E eu nem sabia que existiam porcos farejadores!!!


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Cozinhando Escondidinho

Agradecimentos especiais
Oi, gente!

Esta semana fui conhecer um lugarzinho massa, e estou muito feliz em poder dividir esta descoberta com vocês.
O lugar se chama Cozinhando Escondidinho. Nada mais apropriado. Fica no primeiro andar de uma casa residencial, em Casa Amarela, e não tem nem placa na frente. Parece, mas não é difícil de chegar (pra facilitar, vou postar na fan page do blog o mapa de acesso). Sobrevive, basicamente, da velha e boa propaganda boca a boca, que é a melhor de todas! Soube da sua existência por amigos, e aqui estou eu, indicando pra todo mundo!
A proposta da casa é simples: comida regional da melhor qualidade, com um toque de criatividade e muito cuidado na apresentação, a um preço justo. O atendimento é de primeira, coisa rara por aqui.
Soube depois que o chef, Rivandro França, ganhou o prêmio de Chef Revelação 2012 do Guia Brasil 2013.
Mais do que merecido!
Fiquei absolutamente encantada. O ambiente é simples, porém decorado com cuidado, e cheio de referências à cultura sertaneja. Uma das coisas mais legais são as panelas penduradas nas paredes, repletas de recadinhos e assinaturas de quem esteve por lá. Uma graça!
Escondidinho de carne de sol
Panelinha de Moela
Caprichei nesse dia, e o passeio pelo cardápio foi grande. Em homenagem ao nome da casa, comecei pelo Escondidinho de carne de sol com banana comprida, e já acertei de primeira. Pequenininho, baratinho e delicioso! A massa, ao invés da tradicional macaxeira, era de banana comprida, fazendo o contragosto perfeito pra carne de sol. Queijinho por cima pra gratinar, e voilà!
Mais um copinho de cerveja, e a escolha da mesa foi a Panelinha de moela no molho com farofa e vinagrete, e a Codorna a retalho. Mandamos bem, de novo! A moela estava bem molinha, e o molho encorpado. Pra mim, só precisava de um pouquinho mais de sal. Mas agradeci em nome do meu pai, hipertenso, que me acompanhava nesta empreitada gastronômica.
Cuscuz de Cabeça Amarrada
Codorna a retalho
Já a codorna, estava impecável! Duas codornas em pedacinhos, com cubinhos de queijo coalho, puxada na manteiga e no mel de engenho. Surpreendente! Estava tão boa que até quem não se aventura muito nos sabores adorou. Nota 10!
Fomos em frente, e a vez foi do Cuscuz de cabeça amarrada.  Um nome engraçadinho pro bom e velho cuscuz com galinha guisada. Só que em pratos separados, e o cuscuz num prato amarrado com um pano, bem naquele estilo trabalhador rural. Estava bom, mas não excelente. Foi a opção mais fraca.
Lindo e Arrumado
Mais uma rodada de cerveja gelada. Pra acompanhar, Lindo e arrumado (adorei o nome!!!), que é um arrumadinho incrementado com fava rajada. Gostoso, e muito bem servido. Mais um pra lista!
Pirão de coalho
Finalmente, pensamos em almoçar. Como todo mundo já estava meio cheio, dividimos alguns pratos que seriam, a princípio, individuais. A estrela foi o Pirão de coalho na cumbuca virada. Todo mundo adorou! Uma mistura de arroz, feijão verde e carne de sol desfiada, e uma cumbuca de pirão de queijo coalho virada por cima. Quase uma releitura do baião de dois que eu costumava comer quando criança, na casa de uns tios muito queridos. Simples, farto e muito gostoso.
A essas alturas, o estrago na dieta já havia sido feito, e fomos com gosto de gás nas sobremesas. Ainda bem! Hora de novas e boas surpresas. O queijo manteiga com mel de engenho estava divino, cheio daquela casquinha bem crocante, que é, para mim, a sua melhor parte.
Na lista dos imperdíveis, o Triângulo Amoroso, formado pelo casamento perfeito do bolo de rolo, sorvete de creme e calda de chocolate, e o Doce Sabor Pernambucano, delicadamente feito de macaxeira, coco ralado, mel de engenho e cachaça. Divino, e inesquecível!
Depois disso tudo, foi inevitável começar a pensar numa cama, numa rede... Hora do cochilo!
Espero que vocês encontrem os sabores escondidos neste lugarzinho especial. Comida boa, e com preços altamente justos. Mas o melhor de tudo foi, sem dúvida, a simpatia do Chef Rivandro, que marcou seu nome no meu coração sempre faminto.
Um beijo, e até a próxima!
Triângulo Amoroso
Doce Sabor Pernambucano

Queijo manteiga



domingo, 18 de novembro de 2012

A arábia é aqui!

Oi, gente!

A dica desta semana foi a minha primeira descoberta pós férias: a Snaubar Esfiharia e Cervejaria, no bairro de Parnamirim.
Aberta há pouquíssimo tempo, veio tentar preencher um grande vazio na cena gastronômica desta cidade: a ausência de bons restaurantes árabes. Ainda bem!
Obviamente, como o próprio nome diz, a estrela da casa são as esfihas, e nelas o cardápio é pródigo em opções. Mais ou menos como ocorreria numa pizzaria, ou numa creperia, os mais variados recheios estão lá: os comuns, os mais elaborados, os simples, os mais temperados, doces ou salgados, e ainda os chamados regionais. Na tentativa de agradar a todos os paladares, a temática árabe foi ampliada, cheia de licença poética. Imagine uma esfirra quatro queijos, uma marguerita, camarão com catupiry, carne de sol com queijo coalho, charque com catupiry, calabresa, romeu e julieta ou cartola. Todas estão lá.
Esfiha de berinjela e coalhada seca
Esfiha Quatro Queijos
Elegi algumas para provar. A massa é gostosa, embora para mim pudesse ser um pouco mais leve e mais fina. Confesso que não cheguei a perguntar, mas senti um gostinho de milho bem marcante em todas elas, mais ou menos como a massa utilizada em uma conhecida pizzaria recifense. Será que procede? Prometo que, se obtiver essa informação, compartilho com vocês.
Se tiver que sugerir, fico com a de beringela com coalhada seca. Uma delícia!
Pelo que pude observar, também estão fazendo bastante sucesso os michuis, que são espetinhos, acompanhados de pão sírio e uma das pastas da casa, à escolha do cliente.
Por falar em pastas, a coalhada seca de lá é deliciosa, bem encorpada e temperada, assim como a pasta de grão de bico. Mas pecaram no pão sírio, que estava mole, e deveria ser mais leve e crocante. Quem sabe na próxima?
Kibe vegetariano com coalhada seca
A medalha de ouro foi para o kibe vegetariano recheado com coalhada seca. Delicioso! Sequinho, recheio farto, tempero leve. Jogue fora o preconceito e não torça o nariz para o fato de ser vegetariano. Se você não prestar atenção, vai jurar que é de carne. É, ao meu ver, o melhor petisco da casa!
Ah, duas coisas boas: pra acompanhar tudo isso, o chopp é Heineken, bem geladinho. E o café é da marca italiana Illy, o que já traz uns pontinhos extras.
Na verdade, senti apenas uma grande ausência: o KIBE CRU. Como sou absolutamente apaixonada por um bom kibe cru, fiquei um pouco frustrada em não encontrá-lo no cardápio. Como assim um restaurante árabe sem kibe cru?? Acho que vou iniciar uma campanha pela sua inclusão no cardápio.
Ah, você sabe o que quer dizer Snaubar? Eu também não sabia. Mas não vou contar aqui. O melhor é pedir para o proprietário te contar, enquanto estiver por lá. A história é ótima, com direito, inclusive, a degustações.
No fim, temos um bom lugar pra relaxar e jogar conversa fora, numa ruazinha tranquila que evoca minhas melhores lembranças de infância.
Acho que voltarei por lá!
Um beijo a todos, e boa semana.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eu comi um rato

Qual a sua maior aventura gastronômica?


Em qual momento você vacilou, pensou, olhou 20 vezes para o prato na sua frente, até ter coragem de provar o que estava sendo oferecido?
Afastar o preconceito e aventurar-se nos sabores não é fácil. Requer uma boa dose de coragem, disposição e mente aberta. Você pode conseguir ou não, gostar ou não, terminar o prato, repetir ou nem conseguir engolir a primeira garfada. Mas será, sempre, uma experiência inesquecível.

Particularmente, sou bastante aberta a surpreender meu paladar, especialmente em viagens. Antes mesmo de chegar ao destino, já sinto o gostinho dos pratos que quero provar. A gastronomia é, sem dúvida, um dos maiores atrativos turísticos.
Não foi diferente quando cheguei à Serra Equatoriana. Ao contrário da costa, é a parte que se mostra mais típica, e que se revela como a idéia pré concebida que temos dos países andinos. Ao lado da altitude, que é um atrativo à parte, a herança indígena está super presente: na fisionomia da população, na língua, no artesanato, na dança, na vida social, e na culinária.
Pra entrar no clima, resolvi criar coragem e provar o famoso cuy, que nada mais é do que o porquinho da índia (aquele mesmo, fofo, que a gente cria em casa) assado inteiro no espeto.

Dica certa em todos os guias de viagem, descobri que o cuy, além de ser o prato mais típico daquela região, é uma prato de festa. Iguaria servida em ocasiões especiais, de comemoração familiar, e caro para os padrões locais de preço.
Durante toda a viagem encontrei mulheres assando o porquinho na brasa, na beira da estrada, e fui me aconstumando à idéia de prová-lo na próxima refeição.
Soube que a grande maioria dos turistas não se atreve, por considerá-lo um rato assado. Será?

Depois de um árduo trabalho mental, consegui me convencer que um porco-da-índia não é um rato, e fiz o pedido no restaurante.
E ele veio.... inteirinho, com pele e tudo, olhando pra mim. Muito mais difícil, não é?
Se fosse desfiado, ou cortado em pedaços, seria muito mais fácil. Mas não. Era preciso encarar os olhinhos vidrados e a boquinha aberta, com dentinhos à mostra.
A hora H, e a cara de espanto da vizinha
Respirei, e entrei fundo de garfo e faca na mão.
Ainda bem.... ele era gostoso! A pele super crocante, bem sequinha. A carne, meio parecida com a de coelho. Só que ele é magrinho, tem muito pouca carne (como acontece com a codorna, por exemplo). Nada que eu me apaixonasse, ou repetisse. Mas valeu a pena a experiência.
Vai para a lista das coisas que provei, mas não me apaixonei (junto com os escargots).
E você, comeria?
Um beijo, e até a próxima aventura.




PS: Eu, ignorantemente, pensava que porco-da-índia e hamster era a mesma coisa. Não, não é. São duas espécies diferentes, com algumas peculiaridades que deixarei para os criadores e simpatizantes de plantão elencarem.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ceviche com ketchup

Oi, gente!
Ceviche no almoço, com arroz e chifles de banana
Voltei. Depois de umas férias inesquecíveis, estou de volta ao batente, e ao blog.
Menos cansada, menos estressada, mais pobre, mais gordinha e imensamente mais feliz! Cheia de fotos, lembranças e histórias pra contar.
O Equador é um país surpreendente. Pequeno no tamanho, grande na diversidade. Uma mistura de povos, de culturas, de valores. De climas e paisagens tão diversos que até esquecemos que estamos no mesmo país. Sem nem uma moeda própria pra chamar de sua. Mas com uma unidade que é marcada pela história, pela língua e, sobretudo, pela gastronomia.
Como sempre, respirei e abri a mente, a boca e o coração para conhecer e captar todos os gostos e cheiros da metade do mundo. Sem preconceitos, sem julgamentos, mas procurando encontrar, especialmente, a história daquilo que me estava sendo oferecido, a origem daquele sabor, a influência por trás daquele prato.
Foi assim por quase um mês. Do mais trivial ao mais sofisticado. Da comida normal cotidiana ao jantar de gala. Algumas delícias, algumas surpresas, algumas decepções.
Por isso, teremos muitas novidades para compartilhar por aqui.


Pra começar, a costa equatoriana. A região ainda traz um grande ranço da dominação econômica e ideológica americana. Os Estados Unidos estão no horizonte coletivo, e no sonho de consumo de cada um. Por outro lado, o mar gelado do Pacífico recheia a dieta alimentar, e o pequeno espaço disponível para pecuária faz disparar os preços da carne bovina. Na base produtiva, um monte de fazendas de camarão, e barcos de pesca de todos os tipos e tamanhos. Dá pra imaginar que o forte por lá são os frutos do mar. Ainda bem, porque eu adoro!
Ceviche equatoriano de camarão
De cara, encontrei, em cada esquina, o ceviche! Logo eu, que adoro ceviche. Inocentemente, imaginei que, pela proximidade com o Peru, entraria no terreno seguro de um prato conhecido e apreciado. E, ainda mais ingênua, acreditei que comeria ceviches nos restaurantes, como entrada no almoço ou prato principal no jantar. Aquele velho conhecido, cozido no limão, e temperado com bastante cebola.
Lêdo engano.
O ceviche equatoriano é completamente diferente do peruano. Ponto comum entre os dois é a excelente qualidade dos ingredientes. Em todos os que comi (e foram vários!), o peixe era fresquíssimo, o camarão espetacular, e o polvo macio como nunca. Mas parava por ai.
Carrinho de ceviche na rua.
O mais importante é que, no Equador, o ceviche é um prato popular, mas popular de verdade. Comida de rua, de trabalhadores, vendida na praia. Pode ser encontrado tanto em restaurantes caros, como nos mais simples, e também no meio da rua. De peixe, camarão, caranguejo, polvo, mariscos ou o que mais estiver disponível, tudo junto ou separado. E é vendido em carrinhos iguais aos de cachorro quente, com os ingredientes em potes plásticos; o prato é montado na hora, ao gosto do freguês. Sabor e proteína a módicos 5 dólares. Achei o máximo!
Ao contrário do peruano, os ingredientes principais (pescados, frutos do mar) são pré-cozidos. Mas só um pouquinho, porque permanecem bem macios. Além disso, vem cheio do molho ácido, num prato fundo, como uma sopa rala. 
Um desses a cada 100m de areia
Pra acompanhar, chifles de banana, outra coisa que é a cara daquele país, e que acompanha quase metade de todos os pratos. Nada mais do que finas e crocantes fatias de banana frita, como um salgadinho. O pessoal de lá geralmente vai quebrando a banana e colocando tudo dentro da cumbuca do ceviche, comendo tudo junto. Confesso que preferi comer separadinho mesmo.
Não é só. O ceviche pode ser comido a qualquer hora, e se for a sua escolha pro almoço, virá acompanhado também de uma porção de arroz branco, que você também deverá por dentro do prato fundo de ceviche.
Mas lá pras bandas da praia, ele é comida de café da manhã! Sim, o café da manhã regional, típico, é ceviche. Um bom prato de ceviche com chifles de banana. Energia pro dia todo.
Parada pro café da manhã
Como se não bastasse o espanto de comer ceviche no café da manhã, todos, sem exceção, temperam o prato com.............ketchup! Não consegui acreditar. O mais puro exemplo da mistura da gastronomia tradicional equatoriana com a influência americana.
Confesso que me neguei, por muito tempo, a fazer isso. Primeiro, porque nem sou tão fã assim de ketchup. Segundo, porque achei um absurdo estragar um prato tão saboroso, com ingredientes de primeira, desta forma. Mas vi, todas as vezes, todo mundo colocando.
Este já veio com ketchup
Até o dia em que fomos todos tomar café da manhã num restaurante chamado Arbolito. Ceviche pra todo mundo, e eles já vieram, todos, com ketchup. Não tive como escapar, e terminei experimentando. Taí a foto pra comprovar.
Tenho que dar a mão à palmatória: não fica ruim. Pelo contrário, o docinho do ketchup vai um bom contraponto ao forte tempero do ceviche. Mas ainda assim prefiro a minha versão não americanizada.

Será que alguém se habilita a provar???
De qualquer forma, vou torcendo para que o ceviche, peruano ou equatoriano, se torne mais popular (e, consequentemente, mais barato) por aqui.
Esta é apenas a primeira das novidades. Afinal, não há como negar que comer ceviche com ketchup, no café da manhã, foi uma aventura.
Já estava com saudades de vocês!
Compartilhar a experiência torna muito mais legal tudo o que é vivido.
Um beijo!




domingo, 30 de setembro de 2012

Pra comer costela em Boa Viagem

Oi, gente!

Costela completa pra família inteira
Antes que a turma da zona sul recifense desista de acompanhar o blog, o post de hoje vai especialmente para quem, de vez em quando, abre mão da dieta, e se permite momentos de puro deleite adiposo. Afinal, não tem colesterol que resista quando se está diante de uma excepcional Costela no Bafo, de uma cerveja gelada, e de muito papo rolando.
A espetacular Costela no Bafo
A dica é o Restaurante Carcará. O local é antigo, fica na Rua Ribeiro de Brito, e serve comida regional. Simples, farto, gostoso. Aquele velho esquema de comida boa e preço justo.
Pra começar, peça logo uma cerveja e o pão de alho caseiro, bem crocante e com recheio farto. O de lá é ótimo. Não tem como errar na combinação.
Mas a melhor pedida é, sem dúvida, a espetacular Costela no Bafo, que por si só vale a visita. Enorme, super macia, dá pra partir de garfo, e derrete na boca. Mais magra ou mais gorda, ao gosto do freguês. Com farofa de ovos e macaxeira frita, é de comer rezando. Nessa hora, esqueça todas as recomendações médicas e capriche na manteiga de garrafa. Agora aproveite que é fim de semana, e leve a família, porque um prato completo dá para alimentar umas 4 ou 5 pessoas. Deliciosa, e inesquecível!
Pãozinho de alho
Depois dela, não consigo pensar em nada melhor que um cochilo.
E não se preocupe, é só passar o dia seguinte no suco e saladinha, que dá pra compensar.
Espero que vocês gostem tanto quanto eu.


Ah, estou entrando de férias (êba!!!!!). Vou descobrir um destino pouco conhecido de todo mundo - o Equador! Então, preparem-se, porque o próximo post já será diretamente de lá.
Garanto que teremos muito o que conhecer. Pelo que andei pesquisando, o país é pequeno, mas muito rico culturalmente. Já estou imaginando as experiências, os locais, as pessoas e as comidas que embalarão nossas próximas conversas.
Vou fechar a mala, aguçar os sentidos e abrir a mente e o coração.
Até lá! 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Cafeteria Maia

Cappuccino Menta
Oi, gente!
A descoberta desta semana foi a Cafeteria Maia.
Pequena, poucas mesas, ela fica dentro da Galeria Shopping Sítio da Trindade, na Estrada do Encanamento. Um achado!
Cardápio bom e cheio de opções, que incluem bolos, salgados, tapiocas, saladas, sanduiches, cafés quentes e gelados. A proprietária está sempre por lá, e põe a mão na massa. Resultado: gostinho de comida gostosa, preparada com muito cuidado.
Tapioca de Queijo do Reino
Pra quem gosta de tapioca, como eu, é um prato cheio. A tradicional é ótima, mas não deixe de provar a de queijo do reino, que é muito boa, sequinha, e com recheio farto. Nas especialidades, a tapioca Passa Disco, uma das vedetes da casa, vem com camarão e creme de queijo com orégano. Uma dica: o creme é feito na própria cafeteria, com um marcante gostinho de gorgonzola. Na minha opinião,  podia ter um pouquinho mais de camarão. Diferente, e muito gostosa.
Tapioca Passa Disco
A carta de cafés é ótima. A marca usada é a Delta, e se pode passear por entre os quentes, os gelados e os com leve teor alcoólico. Fui de Cappuccino Menta, que leva café, chocolate, licor de menta e chantilly. Uma delícia! A combinação é ótima, e veio na cremosidade ideal. Recomendadíssimo!
Se a fome for grande, peça um sanduiche. O pão usado em todos eles é artesanal, fabricado na própria cafeteria, bem leve. Uma delícia! Ah, se você quiser encomendar o pão pra levar pra casa, é só avisar com uma certa antecedência. Bom, né?
Mais um excelente local pra uma pausa no dia, um bom café, e muita conversa.
Beijos mentolados!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Zepelim Sorveteria

Sorveteria Zepelim
Oi, gente!

Pra começar, um fato: eu sou absolutamente louca por sorvete! Não consigo resistir a uma bolinha, desde criança.
Por isso fiquei super feliz em conhecer a Sorveteria Zepelim, na Praça de Casa Forte. Primeiro, porque adoro aquela localização. Verde, tranquilidade, mesas na calçada, um pouco mais de silêncio, gente na rua, famílias, cachorros, casais de mãos dadas. Dá pra desacelerar um pouco, e parar pra respirar.
Depois, e o melhor de tudo, é que os sorvetes de lá são da marca Bali. Pra quem já conhece, são aqueles de Maceió, deliciosos, e que somente eram encontrados em outra outra pequena sorveteria aqui da cidade.
Sorvetes Bali
Na Zepelim, a lista de sabores é extensa, e varia dos mais comuns aos mais exóticos. A proprietária teve o cuidado de identificar os que são feitos à base de leite, e os que são feitos à base de água. Ponto pra quem passa longe da lactose. Eu, claro, aproveitei pra provar vários... e trouxe a minha listinha de sugestões!
Dentre os mais comuns, o de Morango ao Leite é delicioso. Já para os amantes do chocolate, as opções são muitas, mas o Africano, feito com chocolate meio amargo, ficou no topo do pódio.
Fiquei absolutamente encantada pelo de Limão com Hortelã, super refrescante, e pelo de romã. Confesso que eu nunca tinha sequer pensado em tomar sorvete de romã. Mas provei, e aprovei!
Na lista dos imperdíveis, sugiro o de Queijadinha (sim, aquele doce de festa infantil), e o de Leite com Conhaque e Canela. Show!
Se você quiser se aventurar nos sabores, vá de Rosas Selvagens. Mais exótico, impossível!
Vinho do porto, pistache e romã
O primeiríssimo lugar, com direito a repeteco, ficou com o sorvete de Maçã Verde. Simplesmente delicioso! Aproveite e coloque uma calda de caramelo por cima...
Soube que a vedete da casa é o sorvete de Leite Ninho. Pena que estava em falta. Quem sabe provo e conto para vocês em uma outra oportunidade?
Ah, o sorvete lá é no peso, e também tem aquela mesinha cheia de guloseimas para enfeitar o nosso potinho. Só não deixe de provar o ganache de chocolate com creme de leite, feito na própria sorveteria. Muito bom!
Para os diabéticos e contadores de calorias, havia mais de sete sabores de sorvete diet. Boa notícia, hein?
Pronto. A programação pro próximo domingo na praça já está fechada.
Beijos gelados!

Nota - Depois de um tempo, voltei por lá. Finalmente pude provar o famoso sorvete de leite ninho, e não me decepcionei. É delicioso! O gosto é mesmo de leite ninho, e lembra os muitos momentos de infância regados a leite com Nescau. Vale a pena provar!